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Minha Theresa

Minha Theresa



FONTE: Canções Portuguezas, Lisboa, Neuparth & Carneiro, s/ d. [ca. 1908], sem menção de autoria musical. Online!





Ver no blog Guitarra de Coimbra: Minha Theresa

MINHA THEREZA
Música: autor desconhecido
Letra: António Cândido Gonçalves Crespo (1846-1883)
Incipit: Acorda minha Teresa
Origem: Coimbra
Categoria: Canção de Coimbra
Subcategoria: composições com duas ou mais partes musicais
Data: [anterior à década de 1880]

Acorda, minha Teresa,
Descerra a janela tua,
Espalha-se a luz da lua
Pela poética devesa!
Entre os sinceiros da margem
Murmura o claro Mondego,
A noite corre em sossego,
Acorda, minha Teresa!

Não dorme quem tem amores!
E o teu postigo é cerrado!
Deixa o leito perfumado
E o travesseiro de flores,
Se queres que eu acredite,
Ó minha pálida amiga,
Nas palavras da cantiga:
Não dorme quem tem amores!

Por isso eu velo cantando,
E esta guitarra suspira,
E o meu coração delira
Mal vem a lua apontando...
É que é noite, lírio branco,
Os astros guardam segredo
Dos beijos dados a medo...
Por isso eu velo cantando!

Quero ver-te, como outrora,
Nesse postigo inclinada,
Conversando enamorada
Até ao raiar da aurora.
Um lenço posto no liso
Dos teus ombros jaspeados,
Os cabelos destrançados,
Quero ver-te como outrora!

Não te assustes, Julieta,
Que a manhã te encontre ainda
Bebendo a canção infinda
Que soluça o teu poeta!
Cantará entre os loureiros
Uma alegre cotovia,
Mal venha rompendo o dia:
Não te assustes, Julieta!

Mas dorme a branca Teresa!
Cerrada a janela sua;
Espalha-se a luz da lua
Pela poética devesa...
Entre os sinceiros da margem
Murmura e corre o Mondego,
Que tristeza, e que sossego...
Ai! Dorme, dorme, Teresa!...


Informação complementar:
Bela serenata oitocentista em compasso binário e tom de Ré Maior, com duas partes musicais, engendrada no período áureo das serenatas-estudantinas dos escolares conimbricenses. Fez voga na geração dos estudantes Trindade Coelho, do guitarrista João da Silva Matos, do serenateiro Miguel Costa e dos guitarristas-cantores Manuel dos Santos Melo da Cruz e Jaime de Abreu. O poema é uma estudantina ou bandolinata, quer dizer, um texto feito propositadamente para ser cantado por grupos de estudantes em modo de serenata e acompanhados por cordofones como o violão francês, o bandolim e o violino. Veio publicado na antologia «Nocturnos» (1882). O autor, nascido no Rio de Janeiro, formou-se na Universidade de Coimbra em 1877.
A recolha em partitura é muito tardia, apenas constando do fascículo «Canções Portuguezas. 1.ª série», Lisboa, Neuparth & Carneiro, sem data [anterior a 1920], com capa de Cervantes de Haro. Esta letra, ou parte dela, foi aproveitada em diferentes melodias pelos compositores Condessa de Proença-a-Velha, Alexandre Rey Colaço e Reynaldo Varela (vide Fado Robles).
Os serenateiros e seresteiros do Brasil cantam esta letra numa melodia intitulada ACORDA MINHA BELEZA, cuja música é distinta da lição conimbricense, e cujo autor se desconhece. Sigam-se os registos de Maria Lúcia Goddy e do Grupo de Seresta de João Chaves: http://www.youtube.com/watch?v=zwxT4AOygGw.
A versão conimbricense foi recuperada pelo Grupo Folclórico de Coimbra na primeira década de século XXI. Que seja do nosso conhecimento, nenhum cultor da CC gravou esta composição.

Pesquisa e texto: António Manuel Nunes e José Anjos de Carvalho

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